Carlos Oliveira Cruz – O papel da Universidade na formação de Engenheiros Civis

Neste episódio do PASSA A DOIS., conversámos com Carlos Oliveira Cruz, professor Catedrático do DECivil do Instituto Superior Técnico (IST), sobre um tema central para o futuro da construção: como se formam hoje os Engenheiros Civis.

Partimos daquilo que define a Universidade, e em particular o ensino no IST, assente em três pilares fundamentais:

  • Ensino;
  • Investigação;
  • Inovação e ligação à sociedade.

Foi a partir desta base que explorámos a evolução do ensino de Engenharia Civil nas últimas décadas.

Se, por um lado, o crescimento da Investigação foi notável, com o Técnico a afirmar-se como uma das principais referências europeias, segundo o Ranking de Xangai, chegando a posicionar-se 50 a 60 lugares acima do MIT, por outro, a Inovação e a transferência de conhecimento para a sociedade continuam a ser um desafio.

Falámos da necessidade de aproximar a universidade das empresas, uma aproximação que começa hoje a ganhar forma, por exemplo, através de doutoramentos em ambiente empresarial, que já representam cerca de 40% dos casos.

Também o modelo de Ensino evoluiu.

A transição de Professores Convidados, ligados à prática profissional, para Professores de Carreira trouxe ganhos evidentes na Investigação, mas afastou a universidade da realidade do setor. Um equilíbrio que hoje se procura recuperar, com o reforço de docentes vindos do mundo empresarial.

A ligação ao mercado começa também a ser feita ao nível dos estudantes, com um aumento de teses de mestrado desenvolvidas em contexto empresarial.

Incontornavelmente, falámos do impacto da crise entre 2008 e 2017, que afastou uma geração da Engenharia Civil — e da recuperação gradual que hoje se começa a observar, com mais candidatos, médias mais altas e uma nova atratividade do curso.

Mas o desafio mantém-se: a falta de engenheiros civis no mercado.

Abordámos ainda o impacto da tecnologia e a necessidade de preparar futuros engenheiros para um setor em rápida transformação — não apenas ao nível técnico, mas também ao nível das competências transversais.

Por fim, discutimos um dos problemas estruturais da indústria: a sua fragmentação. A falta de visão integrada de uma cadeia de valor onde todos os intervenientes fazem parte do mesmo processo construtivo.

Percebemos como a universidade tenta responder a este desafio, procurando formar profissionais com uma visão mais global e colaborativa.

Terminámos com conselhos para quem está a escolher o seu percurso — e para quem está agora a entrar na Engenharia Civil.

Uma conversa clara e fundamentada sobre o papel da universidade na formação de engenheiros — e sobre o que ainda precisa de mudar para responder aos desafios do setor.


Os temas que marcaram esta conversa

  • os três pilares da Engenharia Civil: Ensino, Investigação e Inovação;
  • o crescimento da Investigação nas últimas décadas;
  • a necessidade de reforçar a ligação entre universidade e empresas;
  • a evolução do modelo de Ensino e o equilíbrio entre teoria e prática;
  • a recuperação da atratividade do curso de Engenharia Civil;
  • a falta de engenheiros civis no mercado;
  • o impacto da tecnologia na formação;
  • a fragmentação da indústria e a necessidade de visão integrada.

PASSA A DOIS., o podcast da Alphalink de conversas sobre a construção.

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