Neste episódio do Pergunta ao GP?, Simão Simões responde a várias questões sobre O papel da Alphalink em obra:
- Qual o papel da Fiscalização, em obra, da forma como vemos na Alphalink?
- Na prática, o que significa abrir caminho?
- O que significa zelar pela boa qualidade da obra?
- O controlo de qualidade da obra não é responsabilidade da Fiscalização?
- Isto não desprotege o dono de obra?
- Na prática, como é que se acompanha os trabalhos no terreno?
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Transcrição
Qual o papel da Fiscalização, da forma como vemos na Alphalink?
Na construção, a fiscalização é muitas vezes vista como quem trava, quem controla, quem diz que não. Na Alphalink, o ponto de partida é outro. Posto isto, a Alphalink tem dois papeis fundamentais em obra. O primeiro é abrir caminho ao empreiteiro. Isto tem a ver com garantir a informação certa no momento certo, para que este execute a obra sem entraves desnecessários. O segundo papel fundamental é zelar pela boa qualidade da obra. Isto não é controlar, é acompanhar, perceber como a obra está a ser feita e como está organizada.
Na prática, o que significa abrir caminho?
Nas obras, uma coisa que nunca falta são dúvidas. E muitas vezes, mais do que dúvidas, existe o medo de avançar sem o ok da fiscalização. E no fundo, abrir caminho começa aqui. Na Alphalink temos a consciência de que fazer obras é difícil. E quando acrescentamos burocracia pesada, a obra deixa de fluir como podia. Por isso, tentamos garantir que fornecemos a informação certa no momento certo, esclarecemos as dúvidas para que o empreiteiro consiga avançar com a obra sem entraves.
A abordagem na Alphalink é: se está especificado em projeto, não é preciso pedir aprovação. Isto serve para encomendar materiais ou para se iniciar uma betonagem. Um bom exemplo são os pedidos de aprovação de materiais, os PAMs, os BAMs. O projeto especifica centenas de materiais diferentes e este pedido de aprovação de material serve muitas vezes para proteger quem o encomendou. Mas se quem encomenda, encomendou aquilo que estava especificado em projeto, este processo de pedido de aprovação foi apenas um acrescento de burocracia desnecessária.
A pergunta é simples, porque não confiar no projeto e avançar? No fundo, o que se deve discutir é tudo aquilo que é fruto de alterações, dúvidas e incompatibilidades. Tudo aquilo que difere do que estava prescrito no projeto.
Outro exemplo tem a ver com o lado da fiscalização. Numa obra é muito comum existirem pedidos de esclarecimento, preparações de obra e nós, como técnicos, engenheiros, arquitetos na área da construção, temos de ter a capacidade de filtrar, analisar e muitas vezes responder diretamente ao empreiteiro. Não podemos ser simplesmente intermediários de informação entre empreiteiro, projetistas e arquitetos.
Para nós, abrir caminho é isso. Dar liberdade ao empreiteiro para avançar com a obra sem receios, porque afinal, foi para isso que foi contratado.
O que significa zelar pela boa qualidade da obra?
Quando se fala em fiscalização, ouve-se muitas vezes as palavras controlo de qualidade. Zelar pela boa qualidade vai muito além disso. E este é o segundo papel fundamental da Alphalink.
Zelar pela boa qualidade tem a ver com monitorizar os trabalhos, acompanhar a obra de perto e perceber como estão a ser feitas as coisas. É muito mais do que chegar ao fim e verificar se algo está conforme ou não. Mais do que o resultado, olhamos para o processo: como é que a equipa do empreiteiro está montada, como é que prepara os trabalhos. Quanto mais bem montado está o processo, maior confiança o empreiteiro vai transmitir, sendo tudo isso aquilo que o cliente deseja.
Ao estarmos em obra, conseguimos conhecer as equipas do empreiteiro, percebemos que os trabalhos estão a ser bem planeados e se os erros são uma exceção ou se existe uma razão para eles estarem a acontecer. Mas é importante ter consciência de uma coisa. Apesar de ser um trabalho em equipa, a responsabilidade dos trabalhos que executa é de quem a está executar, assim como o controlo de qualidade dos mesmos.
O papel da fiscalização não é substituir o empreiteiro, é acompanhar, alertar e questionar quando é necessário. É garantir que existem condições para que a obra termine com a qualidade com que foi contratada.
O controlo de qualidade da obra não é responsabilidade da Fiscalização?
Não. E esta é uma das maiores confusões no mundo das obras.
O controlo de qualidade tem de partir de quem está a executar a obra, não de quem está a acompanhar a obra. Imaginemos, por exemplo, uma obra com 25 mil metros quadrados de área bruta de construção. É irrealista pensar que a equipa da fiscalização tem os meios e os recursos necessários para verificar tudo. Se assim fosse, a fiscalização teria de ter equipas enormes, sempre presentes em obra, quase a substituir só o empreiteiro.
O empreiteiro é quem executa. Faz todo o sentido que tenha os métodos necessários para garantir o próprio controlo de qualidade. A fiscalização tem a responsabilidade de verificar se a obra está a ser executada de acordo com os vários projetos e que está em cumprimento com a legislação em vigor aplicável. E, acima de tudo, perceber se os processos do empreiteiro estão bem montados.
Quando algo corre mal, o objetivo não é corrigir o erro, é perceber onde se errou e exigir que esse processo seja corrigido. E quando cada interveniente fizer o seu papel, o resultado aparecerá.
Isto não desprotege o dono de obra?
Não. Na realidade, ficará mais protegido. É importante garantir que a responsabilidade pelos trabalhos executados permanece com o empreiteiro geral. É ele que tem a capacidade técnica, financeira e de meios necessários para corrigir eventuais problemas que possam surgir durante o período de garantia, até porque isso é a sua responsabilidade contratual.
Uma fiscalização que tudo aprova e tudo valida está a passar parte dessa responsabilidade para si, aliviando a responsabilidade do empreiteiro. E se houver algum problema durante esse período de garantia, essa mesma fiscalização não terá a capacidade de resolver esse problema, sendo isso prejudicial para o dono de obra.
Assim, é muito mais seguro para o cliente concentrar toda esta responsabilidade de execução dos trabalhos no empreiteiro. Mas atenção, isto não invalida que a fiscalização acompanhe os trabalhos e avalie a performance do empreiteiro e tudo o que já foi referido anteriormente.
Na prática, como é que se acompanha os trabalhos no terreno?
Para acompanhar os trabalhos no terreno, há uma coisa que é essencial: conhecer muito bem o projeto. Conhecer pormenores, perceber das várias disciplinas e saber o que é que deve estar a acontecer em cada fase da obra.
Para o acompanhamento propriamente dito, quero separar em dois pontos. O primeiro é conhecer quem está a executar a obra, o empreiteiro. Perceber o seu planeamento, perceber se tem a obra controlada ou se está só a avançar os solavancos. O segundo é ir à obra, ver os trabalhos a acontecer, falar com os trabalhadores, porque isso também faz parte do nosso dia-a-dia.
Se a obra estiver a correr de acordo com o planeamento, ótimo. Se detectarmos algum erro, é importante avaliar a causa desse erro. Caso seja algo pontual, podemos corrigir diretamente no local. Se for algo mais sistemático, a abordagem deverá ser outra e isso já abordámos quando falámos sobre o que é zelar pela boa qualidade.