Segurança contra incêndios: estaremos demasiado dependentes do regulamento?

Neste episódio, conversámos com Paulo Prata Ramos, mestre em Arquitetura, com pós-graduação em Engenharia de Segurança Contra Incêndio, e uma referência nacional nesta área.

Sócio-gerente da ETU Fire Safety Consultants e presidente da direção da SFPE Portugal, integra comissões nacionais e internacionais dedicadas à regulamentação e normalização da segurança contra incêndios.

Nesta conversa, partimos da realidade da segurança contra incêndios em Portugal, onde a falta de informação estatística dificulta a avaliação da verdadeira dimensão do problema, desde as vítimas dos incêndios às consequências económicas e sociais.

Refletimos também sobre o atual quadro regulamentar português, que Paulo Prata Ramos considera excessivamente prescritivo e pouco flexível, condicionando a conceção dos edifícios e a possibilidade de encontrar soluções tecnicamente fundamentadas.

Mas será que cumprir o regulamento é suficiente para garantir a segurança de um edifício?

Paulo Prata Ramos recorda que Portugal adotou, em 2008, um quadro regulamentar baseado num modelo francês já desatualizado, sem acompanhar a revisão entretanto realizada em França. Um exemplo que reforça a necessidade de uma regulamentação fundamentada no conhecimento técnico e científico, e não apenas na aplicação de regras.

Abordámos ainda a importância da articulação entre especialidades e as consequências da falta de compatibilização dos projetos. Neste contexto, Paulo Prata Ramos recomenda aos donos de obra envolver o projetista de segurança contra incêndios logo na definição do programa base, em paralelo com a arquitetura, evitando que decisões fundamentais tenham de ser revistas em fases posteriores.

Uma conversa sobre:

  • a realidade da segurança contra incêndios em Portugal e a falta de informação estatística;
  • a cultura de segurança e a importância da manutenção dos edifícios;
  • a origem, as limitações e as exigências da regulamentação portuguesa;
  • a diferença entre cumprir o regulamento e projetar com fundamento técnico;
  • a formação dos projetistas e a necessidade de conhecimento transversal;
  • a articulação entre especialidades e as consequências da falta de compatibilização;
  • o papel do BIM na comunicação e coordenação entre equipas;
  • a importância de integrar a segurança contra incêndios desde a definição do programa base.

PASSA A DOIS., o podcast da Alphalink de conversas sobre a construção.

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